domingo, 7 de agosto de 2011

Quem tem silicone pode amamentar normalmente.



Implante de silicone não atrapalha amamentação. Especialista desfaz mitos acerca da colocação da prótese, uma das cirurgias plásticas mais procuradas pelas mulheres.



O Dia Mundial da Amamentação, comemorado no dia 1º de agosto, reforça a importância do aleitamento materno e promove a amamentação natural. O leite materno é fundamental para o desenvolvimento infantil, já que possui todos os nutrientes que um bebê precisa até aproximadamente seus seis meses de idade.
“Além de evitar a desnutrição infantil, a amamentação fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, imprescindível nesta fase”, ressalta o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Uma dúvida muito comum nos consultórios de cirurgia plástica é se o implante de silicone pode atrapalhar a amamentação da criança, especialmente nas mulheres que ainda não tiveram filhos.
“A resposta depende basicamente de dois fatores – o tamanho da prótese e o local onde ela foi posicionada. O implante pode ser colocado por trás do músculo peitoral, entre ele e as glândulas mamárias ou ainda entre a fascia peitoral e o músculo. A penúltima opção é uma das mais utilizadas, pois o resultado final fica mais visível e é o que as clientes mais jovens solicitam”, esclarece.
Pacheco esclarece que quando a prótese é maior do que o recomendado há riscos da produção de leite ser prejudicada, pois o silicone pode comprimir os canais por onde o alimento é transportado, dificultando sua passagem. “Isto raramente acontece porque o organismo tem um enorme poder de adaptação. Com as inovações tecnológicas utilizadas na fabricação de próteses e também nos procedimentos cirúrgicos as chances de ocorrer algum problema na amamentação é quase nulo”, explica o especialista, mestre em Princípios da Cirurgia utilizando o laser.
Após o implante, a paciente deve aguardar no mínimo quatro meses para engravidar, sem correr qualquer risco durante a gestação e sem prejudicar a amamentação. Mas para evitar estrias o mais prudente é esperar seis meses, pois durante a amamentação a glândula mamária aumenta de tamanho e somando-se ao aumento da prótese pode ocorrer um estiramento da pele, causando as estrias. “Quem já é mãe deve aguardar pelo menos seis meses após o término da produção de leite para se submeter à cirurgia”, destaca.
Um fato verdadeiro é que com a colocação da prótese pode ocorrer a redução ou perda de sensibilidade nas mamas, principalmente nas que possuem um volume menor. Isto acontece devido o estiramento do nervo, que pode causar sua ruptura parcial ou total. “O nervo das mamas cresce um milímetro por mês e por isso pode demorar até mais de dois anos para a sensibilidade do mamilo voltar ao normal. Na maioria dos casos o sintoma é temporário, mas há casos em que ocorre o contrário – o nervo é estirado e a sensibilidade aumenta, assim como ocorre quando a glândula mamária começa a se desenvolver na adolescência”, aponta.

Implante não atrapalha a realização de exames

O médico aponta que um dos mitos que cercam o implante de silicone afirma que a prótese atrapalha a mamografia, exame ginecológico fundamental para a saúde da mulher e que pode identificar nódulos, tumores, câncer e outros problemas nos seios. “O implante mamário pode causar sombra e não permitir o diagnóstico na mamografia, mas atualmente o exame é associado à ecografia de mama, o que possibilita o diagnóstico com certa exatidão”, evidencia.
Em implantes muito grandes pode haver dificuldades para a compressão dos seios durante a realização dos exames, reduzindo a qualidade das imagens e prejudicando o resultado. Neste caso o médico pode solicitar a Tomografia Axial Computadorizada (TAC) e a Ressonância Nuclear Magnética (RNM) que são exames que nos fornecem imagens com mais detalhes. “Quando a paciente for se submeter ao exame é preciso avisar sobre o implante, para que o profissional utilize uma técnica específica para a realização do procedimento”, observa.
Nas mulheres com prótese os seios são tracionados e apenas o tecido mamário é exposto ao raio X, evitando que o silicone interfira no resultado. O implante também não influencia a realização de outros tipos de exame, como a ultra-sonografia e a ressonância magnética. “Vale lembrar que não há riscos da prótese romper durante os procedimentos e todas as mulheres, com ou sem silicone, devem fazer os exames periodicamente de acordo com as indicações médicas”, enfatiza.
A prótese também não aumenta as chances do aparecimento do câncer, nem atrapalha o auto-exame, pois não há glândula por debaixo dela. Todas as mulheres devem fazer o auto-exame uma vez ao mês, sempre após o período menstrual. “O toque é apenas uma forma da mulher conhecer mais o seu corpo e ficar atenta a qualquer mudança que possa indicar a presença de algum nódulo ou tumor. Mas é importante destacar que ele não substitui a consulta a um especialista e nem a realização dos exames, é apenas uma técnica complementar”, finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário